domingo, 15 de agosto de 2010

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Fui uma boa aluna na faculdade. Sabe, era monitora e aluna de iniciação científica em Literatura Clássica; tinha boas notas, um CR acima da média, os professores me conheciam, aff!, essas coisas... Por muitos momentos achei que iria longe, pelo menos até ver que: nada de mestrado por perto e, bem, e o emprego dos sonhos?! Que nada! Só a aprovação em um concurso para o magistério e lá ia eu ser professora de ensino médio na rede pública de ensino do Rio de Janeiro.
Minha ex-orientadora vivia me dizendo: e o mestrado? Ah! É! O mestrado...
O tempo foi passando... passando... Até que ela lançou um livro, onde ganhei uma dedicatória com a frase: "Para Ana, sonhadora de Alexandria,um pouco mais de sonho!" e votos de que o mestrado viesse logo.
Sabe, minha alma encheu-se de sonhos novamente, mas eles foram embora com a ideia de ir para Minas ou São Paulo.
Continuei assim, professora do ensino médio e só.
Outro dia fui ao cinema. Encontrei minha futura orientadora no shopping. Ela conseguiu um lugar na Literatura Comparada da UERJ, minha ex/futura-faculdade. Pois é...
Estou eu aqui porque acabei de ver meus e-mails do dia e tinha um texto para eu ler para quarta-feira, na aula que assistirei, por enquanto, como ouvinte.
Estou, mais uma vez, explodindo de felicidade, cheia de sonhos e planos de novo. E, o que há de melhor na vida do que sonhar e viver os sonhos sonhados ?
Bom, caríssimos, é isso aí. Bons sonhos...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Retrocesso


Quando nasci, ainda vivíamos, no Brasil, a Ditadura. Esta triste época se estendeu de 1964 a 1985. Portanto, até meus oito anos, pude ver na TV - e ainda me lembro disso! - anúncios que diziam qual faixa etária podia assistir ao programa que passaria. Sem contar que estes programas já haviam passado pela maldita censura. A censura, no entanto, era apenas uma das características do regime ditatorial, muitas outras obscuridades haviam: falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.
Nunca entendi o tipo de democracia que temos no Brasil. Penso sempre na obrigatoriedade do voto, principalmente. Se o voto é minha principal arma para exercer a tal democracia, por que ele tem que ser uma obrigação?!
De qualquer forma, usamos desse dever para que tenhamos representantes que assegurem os direitos da maioria. Mas e se esses representantes resolvem dizer o que eu e você temos que fazer? Como eu e você devemos agir?
Para mim, isso já deixou de ser democracia...
Temo um retrocesso político no Brasil, não sei se chega a ser exagero, mas tenho medo disso. De não ter mais o direito de ser livre, de ter domínio sobre mim e meus atos.
No berço da democracia, Grécia, viveu um dos maiores comediógrafos da História, Aristófanes. Aliás, a comédia, como qualquer outra forma de arte, sempre buscou exprimir o que vivemos social e politicamente. O que é a arte senão uma linda e livre forma de nos expressarmos?
Voltando a Aristófanes: suas comédias falavam - e criticavam - dos políticos e dos vícios da sociedade. De forma brilhante e engraçadíssima! Bem mais recentemente, tivemos, na Bahia, um poeta maravilhoso: Gregório de Matos, que também não deixava escapar um mal político impunemente! Isso sempre aconteceu. Aliás, somos ou não livres para criticar o que nos incomoda e louvar o que nos agrada?
Fazem leis para nos dizer como educar nossos filhos, fazem estatutos para dizer como devemos nos comportar nos estádios de futebol. Onde e quando podemos fumar. Se quero ou não manter uma gravidez. Onde está minha liberdade?!
A moda agora é assim: acredito na minha verdade, então ela terá que prevalecer sobre as demais. O que fazer? Vamos criar leis para proibir! Afinal, o Brasil é um país sem nenhum problema mais importante...
Então, isso lembra alguma coisa a vocês?