sábado, 23 de outubro de 2010

Sem sal...

Estávamos lá na sala dos professores conversando, e solto: o mundo tá ficando muito chato!!!
Putz, mas tá ficando mesmo...
Sou do tempo em que ingeríamos carboidratos sem culpa. Falta de exercício físico não matava a gente. Podíamos fazer piada com o político, com o diferente e até com a desgraça sem servos crucificados. Zoar nerd ou gente esquisita era normal, não bullying. Os pais não cometiam crimes por bater nos filhos. A propósito, sou do tempo em que educar os filhos era tarefa dos pais! Professor podia exercer autoridade sem correr o risco de ser processado por qualquer coisa. Debate político era interessante e não uma disputa tosca onde a Igreja manda no que os presidenciáveis têm que debater. Podíamos xingar o juiz, jogador e adversários nos estádios de futebol e, antes, beber uma cervejinha. Etc etc etc.
Não sei mesmo para onde essa história de politicamente correto vai levar a gente. No máximo, a morrer de tédio!

domingo, 12 de setembro de 2010

Diário de vida: "Pero nada me hará tan feliz / Como dos margaritas"


Entrando na onda de posts-sugestões, resolvi dividir alguns bons conhecimentos com vocês... O bom é que tudo aconteceu no mesmo intenso dia, que, mais uma vez, começou sem me prometer nada de especial.

Dica número 1: Sempre que você tiver a oportunidade de conhecer uma pessoa nova, conheça-a. Vai que ela é uma pessoa super divertida e que pode te dar o prazer de muitas trocas?
No dia em questão conheci Raquelita, amiga-hóspede da sra. Confitê, minha amiga de infância.
Raquelita é divertida, inteligente, muito gente boa! Valeu muito a pena sair de casa naquela segunda.
Dica número 2: Seja turista em sua própria cidade. Ainda mais se você viver no Rio de Janeiro... Passear pelo calçadão de Ipanema em boa companhia é muito legal mesmo com tempo nublado! Caminhar, ver e sentir o cheiro do mar, observar as pessoas, conversar e rir com os amigos e "sacar" muitas fotos é um programão!
Dica número 3: Se começar a chover no meio do tal passeio, pegue um táxi e vá até o Shopping Leblon. Tá bom, programa comum, bem burguês até, mas lembre-se: companhia é tudo (ou nada...)!!! Desejávamos um café em uma cafeteria famosa e da moda, mas o café era superfaturado! Descobrimos então a terceira dica do dia: pizza de mozarela de búfala com presunto cru no Ráscal. Delícia!!!
Dica número 4: O que fazer à noite? Lapa aí fomos nós!!! Paramos no Santo Scenarium. Lugar incrível: chorinho e samba de trilha sonora, palitinhos de queijo brie com geleia de laranja pra comer e margaritas e caipirinhas para beber!!! As bebidas foram tão eficientes que a volta para casa foi hilária!!! [Obs: o motorista manteve-se sóbrio!]

Apreveitem e deliciem-se, mas não se esqueçam: quanto melhor acompanhados estiverem, melhor será a noite... o dia... a vida!!!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A presença de um presente


Postei a foto aí de cima no meu facebook e a irmã de uma amiga deixou lá um comentário de que a foto era legal, que só tinha o pessoal da antiga. A irmã da amiga em questão deve me conhecer há uns 20 anos... O que não deve ser exceção com os demais participantes da foto. Por falar nisso, o amigo mais recente que está nela é meu amigo há no mínimo 17 anos!
Uma pena que não nos damos conta, diariamente, do que é de fato importante em nossas vidas. Essas coisas surgem como um estalo e só então percebemos o tesouro que deixamos enterrado em algum lugar do nosso dia a dia.
Sintomas dos dias modernos: tanta correria e fugacidade. Tempo em que deixamos para cultivar amizades em redes sociais ao invés de aproveitar a companhia do outro. Tempo em que muitas vezes a solidão é tanta que compartilhamos o que fazemos em cada segundo do dia com um monte de estranhos via internet. No mesmo lugar onde limitamos nossos pensamentos em 140 caracteres.
Não estou dizendo que isto é regra ou que sirva para todos. Mas é um fato.
Tenho algo que não é comum nos dias de hoje. Amizades que duram, apesar de tantas coisas... Sim, pois não somos amigos virtuais ou de festas apenas. Nos vemos com bastante frequência!
Tantas histórias pra contar... Um monte de experiências, boas e ruins. E compartilhamos o que há de melhor na vida: a própria vida!

domingo, 15 de agosto de 2010

Amostra grátis


Fui uma boa aluna na faculdade. Sabe, era monitora e aluna de iniciação científica em Literatura Clássica; tinha boas notas, um CR acima da média, os professores me conheciam, aff!, essas coisas... Por muitos momentos achei que iria longe, pelo menos até ver que: nada de mestrado por perto e, bem, e o emprego dos sonhos?! Que nada! Só a aprovação em um concurso para o magistério e lá ia eu ser professora de ensino médio na rede pública de ensino do Rio de Janeiro.
Minha ex-orientadora vivia me dizendo: e o mestrado? Ah! É! O mestrado...
O tempo foi passando... passando... Até que ela lançou um livro, onde ganhei uma dedicatória com a frase: "Para Ana, sonhadora de Alexandria,um pouco mais de sonho!" e votos de que o mestrado viesse logo.
Sabe, minha alma encheu-se de sonhos novamente, mas eles foram embora com a ideia de ir para Minas ou São Paulo.
Continuei assim, professora do ensino médio e só.
Outro dia fui ao cinema. Encontrei minha futura orientadora no shopping. Ela conseguiu um lugar na Literatura Comparada da UERJ, minha ex/futura-faculdade. Pois é...
Estou eu aqui porque acabei de ver meus e-mails do dia e tinha um texto para eu ler para quarta-feira, na aula que assistirei, por enquanto, como ouvinte.
Estou, mais uma vez, explodindo de felicidade, cheia de sonhos e planos de novo. E, o que há de melhor na vida do que sonhar e viver os sonhos sonhados ?
Bom, caríssimos, é isso aí. Bons sonhos...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Retrocesso


Quando nasci, ainda vivíamos, no Brasil, a Ditadura. Esta triste época se estendeu de 1964 a 1985. Portanto, até meus oito anos, pude ver na TV - e ainda me lembro disso! - anúncios que diziam qual faixa etária podia assistir ao programa que passaria. Sem contar que estes programas já haviam passado pela maldita censura. A censura, no entanto, era apenas uma das características do regime ditatorial, muitas outras obscuridades haviam: falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.
Nunca entendi o tipo de democracia que temos no Brasil. Penso sempre na obrigatoriedade do voto, principalmente. Se o voto é minha principal arma para exercer a tal democracia, por que ele tem que ser uma obrigação?!
De qualquer forma, usamos desse dever para que tenhamos representantes que assegurem os direitos da maioria. Mas e se esses representantes resolvem dizer o que eu e você temos que fazer? Como eu e você devemos agir?
Para mim, isso já deixou de ser democracia...
Temo um retrocesso político no Brasil, não sei se chega a ser exagero, mas tenho medo disso. De não ter mais o direito de ser livre, de ter domínio sobre mim e meus atos.
No berço da democracia, Grécia, viveu um dos maiores comediógrafos da História, Aristófanes. Aliás, a comédia, como qualquer outra forma de arte, sempre buscou exprimir o que vivemos social e politicamente. O que é a arte senão uma linda e livre forma de nos expressarmos?
Voltando a Aristófanes: suas comédias falavam - e criticavam - dos políticos e dos vícios da sociedade. De forma brilhante e engraçadíssima! Bem mais recentemente, tivemos, na Bahia, um poeta maravilhoso: Gregório de Matos, que também não deixava escapar um mal político impunemente! Isso sempre aconteceu. Aliás, somos ou não livres para criticar o que nos incomoda e louvar o que nos agrada?
Fazem leis para nos dizer como educar nossos filhos, fazem estatutos para dizer como devemos nos comportar nos estádios de futebol. Onde e quando podemos fumar. Se quero ou não manter uma gravidez. Onde está minha liberdade?!
A moda agora é assim: acredito na minha verdade, então ela terá que prevalecer sobre as demais. O que fazer? Vamos criar leis para proibir! Afinal, o Brasil é um país sem nenhum problema mais importante...
Então, isso lembra alguma coisa a vocês?

sábado, 17 de julho de 2010

The Sound of Music


A primeira vez que assisti ao filme "A noviça rebelde" eu devia ter uns onze ou doze anos. Desde então não sei quantas vezes mais eu vi esse filme. Aliás, tenho o DVD, que de vez em sempre está no meu aparelho, me levando a uma fascinante viagem pela Áustria, sobretudo através da música.
Acho que foi a partir daí que passei a adorar musicais. Principalmente, pela arte de nos contar uma história através da música.
Na verdade, acho que a vida da gente tem trilha sonora. Nunca perceberam que a música tem o incrível poder de nos levar através do tempo? Que, vez ou outra, parece que acorda nossos neurônios para as recordações mais remotas?
Pois é... Meus neurônios resolveram despertar! Por conta da música fui arrebatada para os meus quinze anos... Ai, saudade...
Estava eu lá, sentada na maldita kombi, voltando do trabalho lá do outro lado do subúrbio, quando o rádio foi ligado. Fiquei chocada! Estava passando um programa que deve existir desde a época que eu tinha quinze anos: Naftalina, na rádio Transamérica. Céus, não fazia ideia de que ainda existia essa estação, afinal, ganhei ingressos numa promoção dessa rádio para um show do Lulu Santos no Imperator!!! Bem, agradeceria se não fizessem as contas, ok?
E foi um tal de Cindy Lauper cantando "Time after time"; Technotronic, com "Get up"; e vários charmes e raps dos anos 90!!! (pronto, me entreguei!!!)
Nossa... Me vi com minhas amigas no 239 indo para a escola cantando; e a matinê do Imperator, que sempre começava com "Carmina Burana" e terminava ao som de "não quero dinheiro, eu só quero amar!".
Estive com esses mesmos amigos na sexta e hoje e eles estranharam meu incomum bom humor (estava até com uma cara boa!!! rs). Bom, amigos, está explicado, foi o poder da música!!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Carta de despedida


As pessoas que me conhecem sabem o que sinto em relação à obra de Saramago. Brinco às vezes que tenho dois vícios literários: Clarice Lispector e José Saramago. Faço revezamento de leitura desses dois autores. Ela nos deixou no ano em que nasci, hoje fiquei órfã de Saramago.
A notícia de sua morte foi a primeira que recebi e passei o dia pensando num bom jeito de escrever algo sobre isso. Uma pena não ter nascido com seu dom de escrever...
De qualquer forma, ele me deixou um pouco dele em suas obras, que sempre me fazem ver as coisas de uma outra forma, sabe, seus livros têm linhas e entrelinhas...
O primeiro livro que li foi "O conto da ilha desconhecida". Foi paixão à primeira leitura. E sempre que posso, compartilho com meus amigos esse livro-conto. É bom dividir uma busca tão intensa e incessante.
Depois passei para "As pequenas memórias", livro do qual Saramago divide conosco memórias de uma parte de sua vida. A primeira dificuldade que senti foi a da língua (o português de Portugal), depois o seu estilo de escrever; mas como não se deixar seduzir e viajar com tanta poesia. Como alguém pode escrever uma prosa tão subjetiva, tão poética?
Aí já era um vício! Só uma pessoa brilhante para escrever histórias fantásticas como "O homem duplicado" e "A jangada de pedra" (o meu companheiro do momento)!
E o que dizer de "O evangelho segundo jesus cristo" e "Caim"? Aqui posso dizer que enfim achei alguém que compreendia o que penso, além de tudo!
E o inigualável "Ensaio sobre a cegueira". Um retrato assustador e alarmante da cegueira que nos assola.
Um mestre, e, para mim, o maior escritor de língua portuguesa... Continuarei bebendo do seu talento: do seu jeito de escrever que é só seu; da sua forma de conversar conosco, leitores; da sua poesia; da sua ironia; da sua descrença... de você...
Adeus, Saramago.